Desfiles do Grupo Especial de São Paulo continuam neste sábado

Depois das sete primeiras escolas se apresentarem na primeira noite de desfiles, é a vez de outras sete agremiações encerrarem na noite deste sábado os desfiles do Grupo Especial de São Paulo em 2014.

A segunda metade dos desfiles promete ser de alto nível, com várias escolas brigando pelo título ou, ao menos, por uma vaga no desfile das campeãs.

A noite começa com a procura pela felicidade; em seguida, passará pela Avenida uma homenagem a Ronaldo Fenômeno; também teremos as diversas demonstrações de fé de diferentes povos; histórias de paixões proibidas; a Bahia de Dorival Caymmi; um alerta para a sustentabilidade; e, encerrando o Carnaval, uma exaltação ao Santo Guerreiro, São Jorge.

Desfilarão neste sábado a Pérola Negra, a Gaviões da Fiel, a Mocidade Alegre, a Nenê de Vila Matilde, a Águia de Ouro, a Império de Casa Verde e a Acadêmicos do Tatuapé.

Confira tudo o que passará pelo Anhembi na noite de hoje.

GRES Pérola Negra

Enredo: “Caminhos segui, lugar encontrei – Pérola Negra, a suprema felicidade”

Carnavalesco: André Machado

A aposentadoria do intérprete Douglinhas pegou de surpresa o mundo do samba. (Foto: SRZD)

De volta ao Grupo Especial após um rebaixamento considerado injusto, a Pérola Negra vem para mostrar sua força e fazer um desfile que busca muito mais que se manter na elite do Carnaval Paulistano. Para tal, quer saber: onde está a felicidade? Como encontrá-la?

O enredo do Carnavalesco André Machado, que surgiu após um sonho do mesmo, passeia pelas diferentes formas de encontrar a felicidade através dos tempos. A escola pretende encontrar a felicidade justamente na Vila Madalena, na própria Pérola Negra, que completa 40 anos neste 2014.

A comunidade da Vila Madalena foi pega de surpresa na final de samba-enredo desse ano com o anúncio da aposentadoria de Douglinhas, na escola desde 2006. Ele foi substituído por Celson Mody e pela prata da casa Mydras Schmidt, que cantam um dos melhores sambas do ano.

Previsão de entrada na Avenida: 22h30min

Grêmio Gaviões da Fiel Torcida

Enredo: “R9 – O voo real do Fenômeno”

Carnavalesco: Zilkson Reis

Ronaldo é o homenageado da Gaviões da Fiel em 2014. (Foto: UOL)

Depois de dois resultados ruins – nono lugar – a Gaviões da Fiel tenta reviver seus dias de glória em uma homenagem a um dos maiores ídolos do futebol brasileiro e do clube que dá origem a agremiação. A “Torcida que Samba” conta a história de Ronaldo Fenômeno no Anhembi transformando o craque em um passarinho que voou pelo mundo.

A escola conta novamente com Zilkson Reis, que assinou três carnavais bem sucedidos no Bom Retiro entre 2009 e 2011. Ele pretende impactar o Anhembi com alegorias que vão fazer até nevar na Passarela do Samba para contar toda a trajetória deste grande craque.

Como não poderia deixar de ser, Ernesto Teixeira é a voz que guia a Gaviões na Avenida, em um samba que não é dos mais felizes.

Previsão de entrada na Avenida: entre 23h25min e 23h35min

GRCES Mocidade Alegre

Enredo: “Andar Com Fé Eu Vou… Que A Fé Não Costuma Falhar!”

Carnavalescos: Márcio Gonçalves e Sidnei França

Mocidade aposta na fé para levar o tricampeonato. (Foto: G1)

Poucas vezes se viu no Anhembi uma escola tão favorita a levar um título como é a Mocidade Alegre em 2014. Bicampeã, a Morada do Samba tem apresentado um nível de excelência nunca antes visto na Terra da Garoa, que vai da escolha do enredo à perfeição no acabamento das alegorias. E para faturar esse inédito tricampeonato, a escola aposta na fé.

O enredo, que conta as mais diversas demonstrações de fé nas diferentes crenças e nos diferentes tempos, é mais um desenvolvido pela dupla Márcio Gonçalves e Sidnei França. É um enredo que combina com a escola, conhecida pela fé de sua Presidente na hora da apuração e pelo seu lema: “foco, força e fé”.

Após a saída de Clóvis Pê, Igor Sorriso assume o carro de som da escola do Bairro do Limão e canta com segurança um dos bons sambas da safra 2014.

Previsão de entrada na Avenida: entre 0h20min e 0h40min

GRES Nenê de Vila Matilde

Enredo: “Paixões proibidas e outros amores”

Carnavalesco: Pedro Alexandre (Magoo)

Agnaldo Amaral é uma das principais contratações da Nenê de Vila Matilde para 2014. (Foto: SRZD)

Depois de um período conturbado em que transitou entre o primeiro e o segundo grupos, a Nenê de Vila Matilde enfim se consolidou no Grupo Especial no ano passado, quando conseguiu um oitavo lugar com um excelente desfile sobre a igualdade. Agora, a escola aposta em um desfile sobre paixões proibidas ao longo da história.

Afirmando que “quem não sofreu por amor da vida não entende mais que eu”, Pedro Alexandre, o Magoo, chega para substituir Eduardo Caetano. O desfile contará histórias de amor que vão de Orfeu e Eurídice a Romeu e Julieta.

Mudança também no carro de som da escola. Saiu Celson Mody, o Celsinho, e chegou Agnaldo Amaral, que canta outro dos sambas que prometem não deixar saudade nos foliões paulistanos.

Previsão de entrada na Avenida: entre 1h15min e 1h45min

GRCES Águia de Ouro

Enredo: “A velha Bahia apresenta o centenário do poeta cancioneiro Dorival Caymmi”

Carnavalescos: Delmo Moraes e Cláudio Cavalcante (Cebola)

Delmo Moraes chega à Pompéia para fazer dupla de Carnavalescos com Cláudio Cavalcante, o Cebola. (Foto: SRZD)

A Águia de Ouro foi a terceira colocada no Carnaval de 2013, mas comemorou como se fosse a campeã. É que na pista, ao menos segundo o júri, ela foi a vencedora com 0,8 pontos de vantagem para a Mocidade, mas, por ter estourado o tempo em um minuto, perdeu 1,1 ponto e acabou em terceiro. Agora, para levantar a taça de fato, chegou a anunciar um enredo sobre Fernando Meirelles, mas acabou optando por homenagear o centenário de Dorival Caymmi.

O enredo, mais que uma biografia do autor, pretende visitar a Bahia retratada em suas inúmeras canções. Delmo de Moraes, ex diretor de Carnaval da Gaviões da Fiel, foi contratado pela escola para fazer uma dupla com Cláudio Cavalcante, o Cebola, que fará seu terceiro trabalho na agremiação.

Serginho do Porto segue no comando do carro de som, cantando mais uma bela obra vinda da Pompéia.

Previsão de entrada na Avenida: entre 2h10min e 2h50min

GRCES Império de Casa Verde

Enredo: “Sustentabilidade, construindo um mundo novo”

Carnavalesco: Alexandre Louzada

Alexandre Louzada busca seu primeiro título na Império de Casa Verde. (Foto: O Carnaval de São Paulo)

Quando a Império de Casa Verde parecia ter perdido de vez a força apresentada nos seus primeiros anos de Grupo Especial, quando foi bicampeã em 2005 e 2006, veio um quinto lugar no ano passado para provar que a Caçula do Samba ainda é, sim, uma das maiores forças do Carnaval paulistano. E para conquistar sua terceira estrela, um alerta sobre a importância da sustentabilidade.

Em seu segundo trabalho na azul-e-branco, Alexandre Louzada chama a atenção para a importância de preservar a Terra e para o equilíbrio dos quatro elementos para que o homem não sofra pelos estragos que ele mesmo vem causando.

Carlos Júnior, sempre com excelente desempenho, canta um samba de nível bem superior aos últimos da escola.

Previsão de entrada na Avenida: entre 3h05min e 3h55min

GRES Acadêmicos do Tatuapé

Enredo: “Poder, fé e devoção. São Jorge Guerreiro”

Carnavalesco: Mauro Xuxa

Wander Pires chega à Tatuapé para cantar ao lado de Vaguinho. (Foto: SRZD)

A Tatuapé surpreendeu a todos ao conseguir se manter no Grupo Especial em 2013. Agora, a missão da escola é crescer na elite do Carnaval paulistano e, quem sabe, conquistar uma das cinco vagas no desfile das campeãs. Para tal, a escola busca em São Jorge a inspiração para fazer um grande desfile.

O Carnavalesco Mauro Xuxa contará no desfile toda a história do Santo Guerreiro e de toda a fé de diferentes povos em São Jorge. No futebol, no Carnaval ou em qualquer outra área, o Santo carrega muitos fiéis por todo o mundo.

Vaguinho, um dos intérpretes mais famosos de São Paulo, ganha a companhia do consagrado Wander Pires nos microfones da Tatuapé. O bom samba da escola ainda teve a participação de Leci Brandão, que se tornou madrinha da escola após ser homenageada em 2012, na faixa do CD oficial.

Previsão de entrada na Avenida: entre 4h00min e 5h00min

* Os desfiles do Grupo Especial acontecem no Sambódromo do Anhembi, Zona Norte de São Paulo, e tem transmissão ao vivo da Globo a partir das 22h15 para todo o Brasil, menos para o Estado do Rio de Janeiro, que ainda pode acompanhar os desfiles ao vivo pelo G1 via streaming.

Rosas, Dragões e Tucuruvi brilham na primeira noite de desfiles do Grupo Especial

Tucuruvi foi um dos destaques da primeira noite. (Foto:Terra)

Sete escolas abriram na madrugada deste sábado o desfile das escolas de samba do Grupo Especial de São Paulo no Sambódromo do Anhembi.

A prometida chuva deu as caras já no primeiro desfile da noite, da Leandro de Itaquera, que trouxe a Copa do Mundo para o Anhembi sob uma tempestade que até granizo derrubou na pista. O desfile em si não empolgou o público, a despeito do bom samba e de bons desempenhos da bateria, do intérprete Juninho Branco e da Comissão de Frente.

Em seguida, a chuva deu uma trégua e a Rosas de Ouro entrou na Avenida como uma das favoritas. Falando sobre momentos inesquecíveis, a escola da Freguesia do Ó impressionou por seu bom gosto nas alegorias e fantasias, apresentando também um chão muito forte. Personagens como Chacrinha, Michael Jackson e Charles Chaplin foram lembrados na Comissão de Frente, ao passo que personagens da Turma da Mônica ou o Boneco Chucky apareceram ao longo do desfile. As paradinhas da bateria não funcionaram como esperado.

A X-9 Paulistana entrou na Avenida quando a chuva voltou a aparecer em ritmo intenso para contar seu enredo sobre a insanidade. Alternando bons e maus momentos nos quesitos plásticos, a escola fez um desfile animado para coroar o momento de transformação pelo qual a escola passou nesse último ano.

A quarta escola a dar início a seu desfile foi a Dragões da Real, que trouxe os anos 70 e 80 de volta ao Anhembi em um belíssimo desfile de Rosa Magalhães. Com um bom gosto impressionante nas alegorias e fantasias, além de uma excelente harmonia e de uma Comissão de Frente criativa, a escola mostrou a que veio e provou que pode, sim, conquistar seu primeiro título do Grupo Especial.

Na sequência, entrou na Avenida a Acadêmicos do Tucuruvi com seu enredo sobre o universo infantil. Com leveza, o Carnavalesco Wagner Santos tratou dos medos atravessados pelas crianças de maneira bastante lúdica com alegorias e fantasias de extremo bom gosto. A harmonia da escola comprometeu aquele que talvez tenha sido o melhor desfile da noite.

A penúltima escola da noite foi a Vai-Vai, que cantou os 50 anos de Paulínia. O desfile de Chico Spinosa esteve longe de reviver os grandes momentos da escola com alegorias bastante irregulares e uma comissão de frente que não conseguiu transmitir sua mensagem. Para piorar, seu samba teve um rendimento abaixo do esperado.

Fechando os trabalhos já na manhã de sábado, a Tom Maior enfrentou um drama em seu desfile sobre Foz do Iguaçu. Devido a um eixo quebrado, o abre-alas da escola empacou na concentração e só entrou na Avenida quando o cronômetro marcava 11 minutos. As alegorias e fantasias apresentavam algum luxo, mas era nítido que a escola estouraria o tempo, o que lhe colocou como candidatíssima ao rebaixamento, já que ainda deve perder um ponto por desfilar com um trator acoplado no primeiro carro, o que configura merchandising. A Tom Maior, porém, acelerou demais e conseguiu fechar o desfile antes do tempo máximo, embora isso deva custar muitos pontos em evolução.

Na noite deste sábado, outras sete escolas desfilarão no Anhembi fechando os desfiles do Grupo Especial.

Desfiles da Série A prosseguem nesse sábado com duas campeãs do Grupo Especial

Depois do show das oito primeiras escolas na primeira noite de desfiles, nove agremiações encerram na noite deste sábado os desfiles da Série A em 2014.

Atrativos não faltam para você acompanhar o desfile: tem reedição de samba campeão, duas escolas que já levantaram taça na elite, grandes sambas vindos das emergentes e a promessa de um encerramento sensacional para as apresentações do segundo grupo.

A noite começa com a história do jogo do bicho; depois veremos a história do bairro de Copacabana; da cachaça; a Lapa dos malandros e das madames também passará pela Sapucaí; a cidade de Niterói recebe uma homenagem de um de seus maiores orgulhos; a região portuária do Rio será exaltada; a cidade de Jundiaí terá sua história contada e reverenciada; os enigmas também passarão pela Passarela do Samba; e, encerrando os desfiles, um passeio pelo continente africano.

Desfilam hoje Tradição, Alegria da Zona Sul, União do Parque Curicica, Caprichosos de Pilares, Viradouro, Estácio de Sá, Santa Cruz, Unidos de Padre Miguel e Cubango.

Confira o que de melhor vai passar pela Sapucaí nesta noite.

GRES Tradição

Enredo: “Sonhar com Rei dá Leão

Carnavalesco: Orlando Júnior

Neguinho da Beija-Flor cantou ao lado de Marquinho Silva no CD oficial. (Foto: SRZD)

Após bater na trave e quase ser rebaixada em 2013 – foi a 16ª entre 19 agremiações – a Tradição aposta na sexta reedição em dez anos para tentar um bom resultado no segundo grupo. Inaugurando uma nova e moderna quadra, que na verdade é uma casa de shows, a escola que surgiu de uma dissidência da Portela reedita “Sonhar com Rei dá Leão”, que deu o primeiro título à Beija-Flor em 1976.

Orlando Júnior desenvolve um enredo que fala da criação do jogo do bicho, dos sonhos que levam as pessoas a “fazerem uma fezinha” em determinado animal e como o jogo, proibido pela Constituição, consagrou algumas agremiações no Carnaval.

Marquinho Silva cantou ao lado de Neguinho da Beija-Flor no CD.

Previsão de entrada na Avenida: 21h00min

GRES Alegria da Zona Sul

Enredo: “Sacopenapã”

Carnavalesco: Comissão de Carnaval

Alegria da Zona Sul canta o bairro de Copacabana. (Foto: Rota do Samba)

Se manter na Série A era a missão do Alegria da Zona Sul no Carnaval de 2014, quando terminou em 14º lugar. Se a condição atual da escola não permite alçar voos mais altos, subir alguns degraus na classificação já pode ser considerado um objetivo plausível para a agremiação que canta o bairro de Copacabana em 2014.

Após a saída de Eduardo Gonçalves, uma Comissão de Carnaval ficou encarregada de desenvolver o enredo que conta desde a descoberta do território que hoje é Copacabana até sua emancipação e das transformações que tornaram o local a principal morada de turistas que chegam do mundo todo para admirar suas praias e, à noite, ouvir uma música cantada em um banquinho com um violão.

Edmilton di Bem canta um dos melhores sambas inéditos do ano.

Previsão de entrada na Avenida: entre 21h45min e 21h55min

GRES União do Parque Curicica

Enredo: “Na garrafa ou no barril, salve a cachaça! Patrimônio cultural do Brasil!”

Carnavalesco: Mauro Quintaes

Mauro Quintaes é o novo Carnavalesco da União do Parque Curicica. (Foto: Rota do Samba)

Uma das melhores escolas do antigo Grupo B no primeiro ano de Série A – foi a 12ª colocada – a União do Parque Curicica pretende contar a história da cachaça no Carnaval de 2014 para atingir uma posição ainda melhor que a conquistada no desfile anterior.

Para tal, chega à escola o experiente Mauro Quintaes, que estava no Império Serrano. Ele conta como surgiu a bebida, sua importância no período colonial, as lendas que a cercam e sua relação, digamos, íntima com o brasileiro.

Ronaldo Yllê canta um samba que não é dos melhores do ano, mas que tem um refrão que pode levantar as arquibancadas.

Previsão de entrada na Avenida: entre 22h30min e 22h50min

GRES Caprichosos de Pilares

Enredo: “Dos malandros e das madames. Lapa, a estrela da noite carioca”

Carnavalesco: Amauri Santos

Lapa é o tema da Caprichosos para 2014. (Foto: SRZD)

Recuperada da forte crise por que passou há três anos, a Caprichosos de Pilares já pode, sim, pensar em voltar ao Grupo Especial. Depois de abandonar os temas críticos e irreverentes os quais estava acostumada a levar para a Avenida, a escola aposta em uma homenagem ao mais boêmio dos bairros para vencer a Série A: a Lapa.

Amauri Santos desenvolve um enredo que vai muito além dos barzinhos e das tribos que povoam suas treze ruas. A história da Lapa tem escravidão, o requinte dos cabarés e o charme dos malandros e das madames, trocado por malandros e madames do terceiro milênio, que tem vestimentas diferentes, modo de falar diferente, mas seguem com o sangue de malandro correndo nas veias.

Thiago Brito assume de vez o microfone principal da escola para cantar um bom samba, mas que não nos remete as raízes da agremiação de Pilares.

Previsão de entrada na Avenida: entre 23h15min e 23h45min

GRES Unidos do Viradouro

Enredo: “Sou a terra de Ismael, Guanabaran eu vou cruzar. Pra você tiro o chapéu, Rio eu vim te abraçar”

Carnavalesco: João Vitor Araújo

João Vitor Araújo (à direita) assina seu primeiro trabalho na Sapucaí. (Foto: O Dia)

Ano após ano entrando como uma das maiores favoritas e sempre batendo na trave (foi vice-campeã ano passado), a Unidos do Viradouro entra no Carnaval de 2014 buscando nos 450 anos de sua terra natal, Niterói, a inspiração para enfim voltar ao Grupo Especial, de onde saiu em 2010.

Após a saída de Max Lopes, é João Vitor Araújo quem assume a função de Carnavalesco. Estreante, ele conta a história do município desde Araribóia, passando pela luta dos índios e chegando até as belezas naturais da cidade, além do sorriso inconfundível de sua gente. Tem também a Ponte que liga Niterói ao Rio de Janeiro e que foi tantas vezes atravessada pela própria Viradouro para apresentar muitos Carnavais inesquecíveis.

Zé Paulo Sierra estreia na escola cantando um samba de fácil comunicação com o público e com um refrão principal forte e que deve levantar a harmonia da Viradouro.

Previsão de entrada na Avenida: entre 0h00min e 0h40min

GRES Estácio de Sá

Enredo: “Um Rio à beira mar: ventos do passado em direção ao futuro”

Carnavalesco: Jack Vasconcellos

Dominguinhos do Estácio (à esquerda) voltou para a Estácio de Sá. (Foto: SRZD)

A Estácio viveu um período de altos e baixos nos últimos anos, mas o quarto lugar de 2013 recolocou o Berço do Samba em posição de brigar pelo título da Série A. A vermelho-e-branco do Morro de São Carlos aposta em um enredo ligeiramente confuso sobre a região portuária do Rio para vencer o desfile.

O mote para o tema é que foi à beira mar que o Rio recebeu seus primeiros visitantes, escravos e ali, naquela região portuária, que a cidade começou a se desenvolver e a ganhar “atrativos” como cabarés. Hoje, é ali que nasce uma nova cidade a se desenvolver e se transformar impulsionada por obras na região.

Após ser demitido da Imperatriz, Dominguinhos do Estácio recebeu convite de Leandro Santos para fazer dupla com ele no carro de som de sua escola de origem. O samba da escola, aliás, é um dos melhores do ano.

Previsão de entrada na Avenida: entre 0h45min e 1h35min

GRES Acadêmicos de Santa Cruz

Enredo: “Do toque do criador à cidade saudável do Brasil: Jundiaí, uma referência nacional”

Carnavalesco: Comissão de Carnaval

Presidente da Liga das Escolas de Samba de Jundiaí celebra parceria com Santa Cruz. (Foto: TV Carnaval SP)

“Não recebi nem uma bala Juquinha do Governo do Ceará”. Foi assim que o Presidente Zezo resumiu a homenagem da escola ao Estado nordestino em 2013. A decepção, porém, não evitou que a Santa Cruz, décima colocada ano passado, buscasse outro “enredo CEP” para 2014. Agora, sobre Jundiaí.

Demitido semana passada (foi substituído por uma comissão de carnaval), Sylvio Cunha desenvolveu um enredo que conta o descobrimento da cidade, a importância de seus imigrantes, seu crescimento e a qualidade de vida que a transformou em referência nacional com “paixões populares” como o Carnaval e o futebol.

Paulinho Mocidade interpreta com muita garra um samba apenas mediano.

Previsão de entrada na Avenida: entre 1h30min e 2h30min

GRES Unidos de Padre Miguel

Enredo: “Decifra-me ou te devoro: enigmas – chaves da vida”

Carnavalesco: Edson Pereira

Edson Pereira desenvolve enredo sobre enigmas. (Foto: Marquês da Folia)

Uma das grandes surpresas da Série A em 2013, quando conquistou o sexto lugar, a Unidos de Padre Miguel pretende brigar pelo acesso em 2014. Para tal, pretende mexer com a curiosidade do público com um enredo sobre enigmas.

O Carnavalesco Edson Pereira fala dos grandes mistérios que moveram a humanidade, sejam dúvidas internas que infernizam a mente humana ou enigmas que mexeram com a mente de todo o mundo. Também há espaço para as brincadeiras de adivinhação e para ciganas que afirmam prever aquilo que ainda nem aconteceu.

Marquinhos Art’Samba canta outro dos grandes sambas inéditos do ano.

Previsão de entrada na Avenida: 2h15min e 3h25min

GRES Acadêmicos do Cubango

Enredo: “Continente Negro – uma epopeia africana”

Carnavalesco: Márcio Puluker

Márcio Puluker é outro dos carnavalescos estreantes em 2014. (Foto: Acadêmicos do Cubango)

Considerada como uma das maiores injustiçadas do Carnaval Carioca, a Acadêmicos do Cubango, apesar do 11º lugar de 2013, vem para brigar pelo acesso em um enredo que presta homenagem ao continente africano.

Após a saída de Severo Luzardo, Márcio Puluker quase teve que desenvolver uma reedição do enredo “Peguei um Ita no Norte”, de 1993, do Salgueiro, mas depois a escola optou por fazer um enredo inédito sobre a África, que fala de sua natureza, suas savanas, seus animais, suas riquezas minerais, sua religiosidade, sua influência sobre a nossa cultura, no nosso Carnaval e, claro, da luta contra o apartheid que teve como líder Nelson Mandela, morto no fim de 2013.

Marcelo Rodrigues canta um dos grandes sambas do ano, com excelente letra e melodia muito bem construída e que afirma: “a demanda da Cubango é vencer”.

Previsão de entrada na Avenida: entre 3h00min e 4h20min

* Os desfiles da Série A são realizados na Marquês de Sapucaí, no centro do Rio de Janeiro. A Globo transmite para o Estado do Rio a partir das 22h15 e os desfiles que ocorrem antes serão exibidos em compacto assim que o desfile da Cubango terminar. Os cariocas, tal como os foliões de outras localidades, podem acompanhar toda a festa pelo G1, via streaming, ao vivo.

Em Cima da Hora, Porto da Pedra e Inocentes são os destaques da primeira noite de desfiles na Sapucaí

Em Cima da Hora foi um dos destaques da primeira noite. (Foto: Terra)

Oito escolas abriram nesta sexta-feira a primeira noite do desfile das escolas de samba da Série A do Rio de Janeiro, que é equivalente à segunda divisão.

Os trabalhos foram abertos pela Em Cima da Hora, que reeditou um dos maiores sambas-enredo de todos os tempos, “Os Sertões”. O desfile, é claro, ficou marcado pelo ótimo samba e por uma excelente bateria do Mestre Zumbi, mas também cumpriu o seu papel em termos de alegorias e fantasias, além da comissão de frente e do casal de mestre-sala e porta-bandeira.

Em seguida, entrou na Avenida a União de Jacarepaguá, que contou o enredo “Os Iorubás – a história do povo Nagô” e teve como ponto forte o seu bonito abre-alas. A escola, porém, teve graves problemas na harmonia e principalmente na evolução, comprometida por um buraco causado pela demora na entrada do último carro. Apesar de tudo, a União fechou o desfile em 55 minutos.

Terceira a desfilar, a Rocinha, que passou por muitos problemas nesse pré-carnaval, apresentou um desfile muito abaixo do esperado. Com alegorias simples, fantasias pouco bem acabadas e um enredo que, tal como samba, não teve boa comunicação com o público, a escola deixou a Avenida como forte candidata ao rebaixamento.

A Renascer de Jacarepaguá foi outra que não brilhou no quesito alegorias, embora não tenha sido um desastre como a agremiação de São Conrado. O ponto alto do desfile foi o samba de Moacyr Luz e Cláudio Russo, que, contudo, não conseguiram levantar a harmonia da escola, que ainda por cima estourou em um minuto o tempo e será penalizada em um décimo.

Quinta escola a entrar na Avenida, a Porto da Pedra emocionou com uma homenagem aos casais de mestre-sala e porta-bandeira. Com belas alegorias e personalidades do samba como Wilma Nascimento, Lucinha Nobre e Selmynha Sorrizo, a escola de São Gonçalo se credenciou à briga pelo título, embora tenha aberto um buraco no Setor 3 e tenha corrido no fim para não estourar o tempo máximo de desfile.

Em seguida, foi a vez da Paraíso do Tuiuti, que reeditou o desfile “Kizomba, a festa da raça”, campeão de 1988 com a Vila Isabel. O desfile ficou marcado por boas alegorias e fantasias do Carnavalesco Severo Luzardo e por levantar as arquibancadas, como já se esperava que acontecesse. O destaque negativo foi a bateria, que acelerou demais o samba e dificultou o canto dos componentes da escola.

A penúltima escola a desfilar foi a Inocentes de Belford Roxo, que estava no Grupo Especial no ano passado e apresentou um conjunto alegórico visivelmente superior às demais escolas. Por outro lado, a escola passou fria e enfrentou vários problemas na evolução e, logo, na harmonia. O enredo sobre Joaquina Lapinha, porém, era indiscutivelmente candidato ao título.

A última escola a desfilar foi o tradicionalíssimo Império Serrano, que levou a história de Angra dos Reis para o Sambódromo e levou um susto logo no começo do desfile, quando seu abre-alas pegou fogo. O desfile da Serrinha foi bastante irregular, com muitas falhas na harmonia e na evolução, que comprometeram o desfile que apresentou alegorias apenas irregulares.

Neste sábado, outras nove agremiações encerram os desfiles da Série A.

Desfiles da Série A começam hoje com sambas históricos e tradição do Império Serrano

Começa dentro de algumas horas o desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro. Na noite desta sexta-feira, oito das 17 escolas da Série A, o grupo de acesso do Carnaval Carioca, abrem o maior espetáculo da Terra na Marquês de Sapucaí.

Nesta noite, terá de tudo. Sambas históricos, escolas tradicionais, em ascensão, poetas “de meio de ano” vendo obras suas na Avenida e muita emoção.

O passeio pelos enredos começa com uma viagem pelo sertão nordestino; em seguida, o público conhecerá melhor a nação Iorubá; irá até a Barra da Tijuca; lembrará os traços cariocas do caricaturista Lan; verá uma emocionante homenagem aos casais de mestre-sala e porta-bandeira; reviverá uma exaltação a raça negra; também será contada a vida da cantora lírica Joaquina Lapinha; e, por fim, Angra dos Reis invadirá a passarela do samba.

Desfilam nesta noite Em Cima da Hora, União de Jacarepaguá, Acadêmicos da Rocinha, Renascer de Jacarepaguá, Porto da Pedra, Paraíso do Tuiuti, Inocentes de Belford Roxo e Império Serrano.

Confira o que passará pela Marquês de Sapucaí nesta noite.

GRES Em Cima da Hora

Enredo: “Os Sertões”

Carnavalesco: Marco Antônio

O histórico samba “Os Sertões” desfilou com a Em Cima da Hora em 1976. (Foto: O Globo)

Campeã do Grupo de Acesso B no ano passado, a Em Cima da Hora volta para a Marquês de Sapucaí com a difícil missão de fugir das três últimas posições e se manter na Série A. Abrindo os trabalhos, a escola de Cavalcante não teve outra saída que não fosse reeditar aquele que é um dos melhores sambas-enredo de todos os tempos, “Os sertões”.

O Carnavalesco Marco Antônio desenvolve um enredo baseado no livro homônimo de Euclides da Cunha e que foi último colocado nos desfiles do grupo principal em 1976, quando a escola se apresentou sob fortíssima chuva.

Antônio Carlos e Arthur Franco dão vida a esta obra-prima na Avenida. O andamento adotado pelo carro de som e pela bateria do Mestre Zumbi não acelerou demais o samba de Edeor de Paula, o que o deixou bastante agradável de se ouvir e deve fazê-lo funcionar perfeitamente na Passarela.

Previsão de entrada na Avenida: 21h00min

GRES União de Jacarepaguá

Enredo: “Os Iorubás – a história do povo Nagô”

Carnavalesco: Jorge Caribé

Jorge Caribé desenvolve enredo afro para levar a União de Jacarepaguá a uma boa colocação em 2014. (Foto: SRZD)

Décima quinta colocada em 2013, a União de Jacarepaguá é uma das candidatas ao descenso no Carnaval de 2014, mas, ao mesmo tempo, pretende ocupar posição de destaque no segundo grupo. Para tal, aposta em um chamado “enredo afro”, que fala sobre os povos de língua iorubá.

O enredo do Carnavalesco Jorge Caribé contará um pouco da africanidade que cerca este povo que chegou ao Brasil trazendo sua cultura, seus costumes, sua religião e que terá um reencontro com sua Mãe África, da qual foi arrancado à força, na Sapucaí.

Tiganá interpreta com empolgação mais um belo samba da escola.

Previsão de entrada na Avenida: entre 21h45min e 21h55min

GRES Acadêmicos da Rocinha

Enredo: “Do paraíso sonhado, um sonho realizado. Sorria, a Rocinha chegou à Barra”

Carnavalesco: Luiz Carlos Bruno

Luiz Carlos Bruno: “situação da Rocinha é ‘apavorante’”. (Foto: O Globo)

Quinta colocada no ano passado, a Rocinha vem para 2014 com um enredo que causou desconfiança desde que anunciado: uma homenagem ao pouco amado bairro da Barra da Tijuca.

Os pilotos das fantasias de gosto duvidoso do carnavalesco Luiz Carlos Bruno ligaram o sinal amarelo no mundo do samba e, nessa semana, Bruno afirmou que a situação da escola é “apavorante”, pois o aguardado patrocínio de empresários do bairro não chegou e a agremiação está se desdobrando para poder colocar um Carnaval na Avenida.

Se o samba é outro dos motivos de preocupação, o intérprete Leléu é um dos destaques do ano com uma interpretação excelente no CD oficial.

Previsão de entrada na Avenida: entre 22h30min e 22h50min

GRES Renascer de Jacarepaguá

Enredo: “Olhar caricato. Simplesmente Lan”

Carnavalesco: Marcus Ferreira

Lan (a esquerda) é o homenageado da Renascer em 2014. (Foto: Carnavalesco)

Depois de uma rápida passagem pelo Grupo Especial em 2012, a Renascer voltou ao Grupo de Acesso conquistando um oitavo lugar. Para voltar a elite, a escola do Bairro do Tanque aposta em mais um enredo sobre um grande nome artístico brasileiro, dessa vez o caricaturista Lan.

Marcus Ferreira, que estava no Jacarezinho, chega para retratar o Rio de Janeiro dos traços de Lan. Da praia ao jogo do Flamengo, passando pelas mulatas, pelo Carnaval e pelas belas paisagens da Cidade Maravilhosa.

Evandro Malandro e Diego Nicolau cantam um samba composto pelo consagrado autor de sambas-enredo Cláudio Russo e por Moacyr Luz, grande sambista “de meio de ano”.

Previsão de entrada na Avenida: entre 23h15min e 23h45min

GRES Unidos do Porto da Pedra

Enredo: “Majestades do samba, os defensores do meu pavilhão”

Carnavalesco: Leandro Valente

Selmynha Sorrizo é uma das porta-bandeiras presentes no desfile da Porto da Pedra. (Foto: O Globo)

Depois de um pré-carnaval conturbado em 2013, o nono lugar foi até considerado um bom resultado para a Porto da Pedra. Agora, melhor estruturada, a escola de São Gonçalo aposta em uma emocionante homenagem aos casais de mestre-sala e porta-bandeira para voltar ao Grupo Especial.

O ex assessor de imprensa que virou Carnavalesco, Leandro Valente, é quem conta um enredo sobre o surgimento dos casais, as dificuldades por eles enfrentadas e, claro, o momento da coroação, que se dá na Avenida ano a ano. Para isso, o desfile contará com a presença de porta-bandeiras marcantes como a inesquecível Wilma da Portela e Selmynha Sorrizo, da Beija-Flor.

Após um ano afastado do Carnaval, pois havia virado evangélico, Anderson Paz volta a cantar na Sapucaí com um samba de riqueza melódica, mas que pode acabar se arrastando na Avenida. O intérprete causou polêmica na final de samba-enredo da escola ao dizer que tem pena do Império Serrano “pelas pessoas que estão lá”.

Previsão de entrada na Avenida: 0h00min e 0h40min

GRES Paraíso do Tuiuti

Enredo: “Kizomba, a festa da raça”

Carnavalesco: Severo Luzardo

Desfile de 1988 da Vila Isabel é um dos maiores da história do Sambódromo. (Foto: Extra)

Em 1988, uma apoteose tomou conta da Marquês de Sapucaí no desfile da Vila Isabel em homenagem aos negros. Desfile que não se repetiu mesmo com o título da escola do bairro de Noel porque as fortes chuvas que atingiam o Rio cancelaram o desfile das campeãs. Agora, 26 anos depois, a Paraíso do Tuiuti tenta se recuperar do 13º lugar no ano passado com uma reedição do histórico samba da Vila.

Severo Luzardo é quem reedita o enredo pensado por Martinho da Vila para comemorar o centenário da abolição da escravatura e que saudará grandes ícones de pele negra, além dos anônimos que lutaram com bravura pelo fim da escravidão e do preconceito ainda existente.

Quem interprete o samba na Avenida, desta vez, é Daniel Silva.

Previsão de entrada na Avenida: entre 0h45min e 1h35min

GRES Inocentes de Belford Roxo

Enredo: “O triunfo da América – o canto lírico de Joaquina Lapinha”

Carnavalesco: Wagner Gonçalves

Atriz Isabel Fillardis viverá Joaquina Lapinha na Sapucaí. (Foto: SRZD)

Última colocada nos desfiles do Grupo Especial no ano passado, a Inocentes volta a Série A com um enredo de forte apelo cultural: a história da quase desconhecida cantora lírica Joaquina Lapinha, mas que fez uma belíssima carreira e conquistou o mundo com sua voz.

A história da mulata mineira, pobre, que venceu preconceitos e fez até príncipes se encantarem é contada pelo Carnavalesco Wagner Gonçalves, que acredita que o enredo pode ser uma grande oportunidade do grande público reverenciar essa grande cantora, que será representada pela atriz Isabel Fillardis na Avenida.

Ciganerey estreia na Inocentes cantando um dos mais belos sambas do ano e que teve impressionante rendimento no ensaio técnico da escola.

Previsão de entrada na Avenida: entre 1h30min e 2h30min

GRES Império Serrano

Enredo: “Angra com os Reis”

Carnavalesco: Eduardo Gonçalves

Carnavalesco Eduardo Gonçalves faz seu primeiro trabalho em uma grande escola. (Foto: SRZD)

Os desejos da Lierj foram atendidos e uma tradicionalíssima escola de samba encerrará a primeira noite de desfiles. Na verdade, é a mais tradicional das 17 do grupo. Terceiro colocado em 2013, o Império Serrano tenta voltar ao seu lugar e deve segurar muita gente na Sapucaí para ver a escola contar a história de Angra dos Reis.

Saindo do Alegria da Zona Sul, o Carnavalesco Eduardo Gonçalves assina seu primeiro desfile em uma grande escola e conta a história de Angra sob uma ótica diferente, falando sobre os reis magos, o Menino Jesus, além dos cortejos e procissões que prometem, no fim das contas, coroar o “Reizinho de Madureira” na Sapucaí.

Consagrado no Carnaval paulistano, Clóvis Pê estreia pelo Império Serrano cantando um bom samba, mas que não se destaca em uma safra de alto nível.

Previsão de entrada na Avenida: entre 2h15min e 3h25min

* Os desfiles da Série A do Rio de Janeiro acontecem na Marquês de Sapucaí, no Centro do Rio de Janeiro. A Rede Globo transmite os desfiles para o Estado do Rio a partir das 23h25. Os desfiles que ocorrem antes serão exibidos em compacto ao final do desfile do Império Serrano e podem ser assistidos ao vivo pelo G1, que também transmitirá a festa para todo o Brasil e o mundo via streaming.

Sete escolas abrem os desfiles do Grupo Especial de São Paulo nesta sexta-feira

Chegou a hora! Dentro de algumas horas, a Passarela do Samba do Sambódromo do Anhembi estará tomada pela alegria vinda do Desfile das Escolas de Samba do Grupo Especial de São Paulo.

Depois de quase um ano de preparação, sete das 14 agremiações da elite do Carnaval paulistano levam para o Sambódromo um grande espetáculo de muita beleza e muita emoção, além, é claro, de toda a criatividade vinda dos enredos que serão contados no Anhembi.

Nesta noite, vamos exaltar a paixão do brasileiro pelo futebol; relembrar momentos marcantes na vida de qualquer pessoa; saudar os malucos geniais de nossa história; voltar no tempo e reviver tudo aquilo que fez parte da vida da geração passada; viajar pelo universo da imaginação infantil; conhecer um pouco a história cinquentenária da cidade de Paulínia; e desembarcaremos, enfim, em Foz do Iguaçu.

Desfilarão hoje a Leandro de Itaquera, a Rosas de Ouro, a X-9 Paulistana, a Dragões da Real, a Acadêmicos do Tucuruvi, a Vai-Vai e a Tom Maior.

Confira tudo o que vai passar pelo Anhembi nesta sexta-feira.

GRCES Leandro de Itaquera

Enredo: “Ginga Brasil, futebol é raça. Em 2014 a Copa do Mundo começa aqui”

Carnavalesco: Marco Aurélio Ruffim

Marco Aurélio Ruffim está de volta à Leandro de Itaquera. (Foto: Diário de S. Paulo)

2014 será um ano especial para o bairro de Itaquera. Conhecido por ser reduto de uma população de classe mais baixa, e frequente alvo de preconceito e estereótipos negativos, o bairro da Zona Leste estará no centro das atenções do mundo. É que é lá, mais precisamente na Arena Corinthians, que começará a Copa do Mundo de 2014, no jogo Brasil x Croácia.

Meses antes, mais precisamente hoje, o bairro estará no centro de outra abertura, esta lá na Zona Norte, no Sambódromo. A escola de samba de Itaquera, a Leandro, abrirá os desfiles do Grupo Especial exaltando justamente a paixão do brasileiro pelo futebol. Vice-Campeã do Grupo de Acesso em 2012, o Leão aposta na volta do Carnavalesco Marco Aurélio Ruffim para se manter na elite do Carnaval Paulistano.

Juninho Branco interpreta um grande samba, que promete levantar as arquibancadas do Anhembi, especialmente no refrão principal.

Previsão de entrada na Avenida: 23h30min.

Sociedade Rosas de Ouro

Enredo: “Inesquecível”

Carnavalesco: Jorge Freitas

Ronnie Von é uma das personalidades que estarão no desfile da Rosas de Ouro. (Foto: UOL)

Mordida por dois vice-campeonatos nos últimos dois anos, a Sociedade Rosas de Ouro será a segunda escola a desfilar no Sambódromo do Anhembi nesta noite. Com mais um Carnaval desenvolvido por Jorge Freitas, a Roseira pretende recordar momentos que marcam a vida de qualquer um, do nascimento à saudade daqueles que já partiram.

Entre uma carteira de motorista e um casamento, cantores, atores e outros artistas protagonizam momentos inesquecíveis na nossa vida. E é por isso que o desfile da escola estará repleto de artistas como Simony, o boneco Fofão, Ronnie Von e a dupla de palhaços Patati & Patatá.

Darlan Alves é a voz de um samba que, tal como os últimos da escola, tem melodia lenta e mais cadenciada, apostando na poesia para ganhar a atenção do público.

Previsão de entrada na Avenida: entre 0h25min e 0h35min

GRCES X-9 Paulistana

Enredo: “Insano”

Carnavalesco: Flávio Campello

Capa do site da X-9 Paulistana dá o tom do desfile de 2014. (Foto: Divulgação)

Prosseguindo com os desfiles, é a vez da X-9 Paulistana entrar na Avenida com um enredo que pretende homenagear os loucos de nossa história, afinal de contas, a insanidade já foi a porta de entrada para grandes descobertas e obras artísticas geniais.

Mais uma vez, Flávio Campello desenvolve o enredo de uma escola que passou por grandes mudanças administrativas após resultados muito ruins como o décimo lugar do ano passado. Duas vezes campeã do Carnaval, a X-9 enlouqueceu para tentar voltar a ser campeã.

Royce do Cavaco interpreta um samba que foge à linha dos últimos da escola, optando pela irreverência para mexer com o público, deixando de lado a riqueza poética, que foi marca dos últimos hinos da agremiação da Parada Inglesa.

Previsão de entrada na Avenida: entre 1h20min e 1h40min

GRCES Dragão da Real

Enredo: “Um museu de grandes novidades”

Carnavalesca: Rosa Magalhães

Consagrada, Rosa Magalhães assina o desfile de 2014 da Dragões da Real. (Foto: SRZD)

Quarta escola a desfilar, a Dragões da Real vem em ascensão após um quarto lugar no desfile do ano passado. O enredo desse ano pretende voltar aos anos 70 e 80 e revisitar tudo aquilo que foi moda no período, seja nas vestimentas, na música, na TV ou nos costumes.

O grande trunfo da escola para 2014 está no comando do desfile. Ninguém menos que Rosa Magalhães, que tem oito títulos no Grupo Especial do Rio, incluindo o de 2013, será a responsável por contar essa história na Avenida e tentar dar à escola da Vila Anastácio seu primeiro título.

Daniel Collête tem excelente desempenho à frente de um bom samba da escola oriunda de uma torcida organizada do São Paulo Futebol Clube.

Previsão de entrada na Avenida: entre 2h15 e 2h45

GRCSES Acadêmicos do Tucuruvi

Enredo: “Uma fantástica viagem pela imaginação infantil”

Carnavalesco: Wagner Santos

Wantuir é o intérprete da Tucuruvi para 2014. (Foto: SRZD)

Depois do belíssimo desfile sobre Mazzaroppi, que terminou em um contestável sexto lugar, a Acadêmicos do Tucuruvi tenta seu primeiro título no Carnaval paulistano com um enredo que trata sobre a imaginação infantil, sobre o universo existente na mente das crianças.

Quem está esperando um desfile restrito a fadas, doces e super-heróis, será surpreendido. A ideia do Carnavalesco Wagner Santos é fazer um importante alerta sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente. Para tal, cada setor representará um medo enfrentado pelas crianças, que vai da obesidade a pedofilia.

A grande contratação da escola para 2014 é Wantuir. O intérprete, consagrado no Carnaval Carioca, teve uma rápida passagem pela Vai-Vai em 1999 e volta ao Anhembi para cantar um samba muito bonito, mas que pode não contar fielmente o enredo.

Previsão de entrada na Avenida: entre 3h20min e 3h50min

GRCES Vai-Vai

Enredo: “Nas chamas da Vai-Vai, os 50 anos de Paulínia”

Carnavalesco: Chico Spinosa

Após a demissão de Bruno Ribas, Márcio Alexandre assumiu o microfone principal da Escola do Povo. (Foto: SRZD)

Um sétimo lugar pode ser um resultado comum para muitas escolas. Não é o caso da Vai-Vai. A Saracura vem tentando se recuperar de uma posição que considerou incômoda no Carnaval de 2013. Para tal, pretende passear pelos 50 anos da cidade de Paulínia.

Quem pretende ajudar a Escola do Povo a reviver seus dias gloriosos é Chico Spinosa, que volta para a agremiação da Bela Vista para desenvolver o desfile sobre a cidade do interior paulista conhecida por seu Pólo de Cinema.

Acusado pelo Presidente Neguitão de não estar comprometido com a escola do Bixiga, Bruno Ribas foi demitido no meio do ano e, em seu lugar, estreia Márcio Alexandre. O jovem intérprete recebe o luxuoso auxílio de Thobias da Vai-Vai no carro de som da agremiação.

Previsão de entrada na Avenida: entre 4h15min e 4h55min

GRES Tom Maior

Enredo: “Foz do Iguaçu, destino do mundo – sinfonia das águas em Tom Maior”

Carnavalesco: Mauro Quintaes

Tom Maior desembarca em Foz do Iguaçu no Carnaval 2014. (Foto: Divulgação)

Outrora conhecida por enredos que exaltavam o trabalhador e suas glórias, a Tom Maior, pelo segundo ano seguido, apresenta um tema diferente de suas características. Depois dos preservativos que lhe deram a 12ª posição, é a vez de um passeio pela história de Foz do Iguaçu.

Através das mãos de Mauro Quintaes, recém-chegado ao Sumaré, a escola pretende passear pela lenda da origem das águas locais, pelo ponto turístico mundial que a cidade virou e pelo “jeitinho brasileiro” dos muambeiros, além dos jogos de azar do outro lado da fronteira. Essa última parte não agradou a Câmara local, que pretende processar a vermelho-e-amarelo.

René Sobral tem mais uma grande interpretação em um samba que está longe de ser um dos melhores do ano.

Previsão de entrada na Avenida: 5h10min e 6h00min

* Os desfiles do Grupo Especial de São Paulo acontecem no Sambódromo do Anhembi, na Zona Norte da Capital Paulista, e são transmitidos pela Rede Globo, a partir das 23h25, para todo o Brasil, menos para o estado do Rio de Janeiro, que pode acompanhar a festa ao vivo pelo G1, via streaming.

Chamada Geral: após preparação conturbada, Vila Isabel tenta o bi com enredo sobre a diversidade natural brasileira

Desfile de 2013 da Vila Isabel.

Desfile de 2013 da Vila Isabel.

A Unidos de Vila Isabel, se não é a mais tradicional escola de samba do Rio de Janeiro, tem uma história de respeito que faz inveja à muitas agremiações. Não só por alguns de seus Carnavais, mas por abrigar sambistas conhecidos fora do mundo do samba, como Martinho da Vila e Arlindo Cruz, que assinaram inúmeras obras na agremiação.

Fundada em 1946, a escola do Bairro de Noel só conseguiu um resultado expressivo no primeiro grupo vinte anos depois, quando foi quarta colocada. Os Carnavais seguintes, porém, mantiveram a fama de escola pequena que, vez ou outra, conseguia ficar entre as cinco primeiras colocadas. Fama esta que começou a mudar em 1980, quando a escola ficou atrás apenas das quatro campeãs com o enredo “Sonho de um sonho”. O samba de Martinho da Vila tinha versos inusitados como “sonhei que sonhava um sonho sonhado por um sonhador / um sonho magnetizado”.

Vieram outros sambas inesquecíveis como “Pra tudo se acabar na quarta-feira”, de 1984, mas foi só em 1987 que a escola fez seu primeiro Carnaval digno de título. “Raízes” saiu da Sapucaí com a certeza geral de que daria o primeiro título à azul-e-branca. A apresentação foi tão boa que a torcida da Mangueira, acreditando não ter chances de título, levou faixas de apoio à Vila Isabel para a apuração, então realizada no Maracanãzinho. Mas acontece que a Vila ficou só em quinto lugar, e taça foi, vejam vocês, para a própria Mangueira.

É que talvez quisesse o destino que o primeiro título da Vila Isabel fosse em um desfile histórico, inesquecível, único. Um desfile quase insuperável, como de fato foi “Kizomba, a festa da raça”. Em comemoração ao centenário da abolição da escravatura, a Vila fez uma das melhores apresentações da história da Sapucaí e faturou seu primeiro título em um desfile que não se repetiu devido às fortes chuvas que cancelaram o Desfile das Campeãs. “Kizomba”, contudo, será reeditado pela Paraíso do Tuiuti na Série A neste ano de 2014.

A escola ainda fez boas apresentações em anos como 1989, mas, aos poucos, foi ficando evidente à fragilidade econômica em relação às demais. Essa fragilidade acabou levando a agremiação ao Grupo de Acesso no ano de 2000. Dois anos depois, a escola perdeu o acesso para a Santa Cruz por um décimo, 199,4 a 199,3. Até aí, tudo bem. O problema é que a escola havia tirado dez em todos os jurados e perdeu ponto em apenas um. O 9,3 jogou a Vila para segundo lugar e até hoje há quem diga que a nota não era exatamente essa.

Polêmicas repetidas em 2003, a Vila Isabel conseguiu sair do segundo grupo apenas em 2004. Beneficiada pelo talento de Joãosinho Trinta e pela mudança no regulamento que não a fez abrir os desfiles, a escola conseguiu se manter na elite em 2005 com certo conforto. No ano seguinte, resolveu exaltar a América Latina e, contando com o fortíssimo patrocínio da estatal petroleira venezuelana PDVSA, foi campeã novamente ao empatar em pontos com a Grande Rio, que havia perdido um ponto por estourar o tempo de desfile.

Desde então, a Vila Isabel nunca mais deixou de desfilar no sábado das campeãs e, a exceção do ano de 2008, quando ficou apenas em nono. A partir de 2011, contou com Rosa Magalhães. A carnavalesca desenvolveu um desfile aclamadíssimo sobre Angola em 2012 que, para muitos, mereceu o título. Mas a escola acabou ficando em terceiro no Carnaval vencido pela Unidos da Tijuca de Paulo Barros.

Em uma história que lembra muito a de 1987/1988, o terceiro campeonato da escola veio em uma exibição arrebatadora, inesquecível. Com um samba que havia conquistado a todos no pré-carnaval, que falava sobre o homem do campo, a Vila encerrou os desfiles sem deixar dúvidas de que levaria sua terceira taça. E foi exatamente o que aconteceu.

Depois de um ano para nenhum torcedor da escola esquecer, porém, veio uma crise. Casal de mestre-sala e porta-bandeira, intérprete, coreógrafo, diretor de bateria, carnavalesca: todos estes profissionais deixaram Vila Isabel – em geral, por atraso de salário. A equipe se reforçou de nomes como Cid Carvalho e Gilsinho, mas era notória a preocupação com a parte financeira, prejudicada pela ausência de um patrocínio com o qual a escola contava.

A pouco mais de dois meses para o desfile, Cid Carvalho deixou a escola sob a alegação de não ter condições de trabalhar no desenvolvimento do Carnaval da escola devido à falta de recursos. A Vila chegou até a montar uma comissão de carnaval, mas, a poucas semanas do Carnaval, Cid resolveu voltar para concluir um enredo que pretende fazer uma viagem pelo Brasil para descobrir um pouco de sua imensa diversidade natural.

Unidos de Vila Isabel 1

O enredo

O Brasil é um país de proporções continentais. E é exatamente por isso que “Retratos de um Brasil plural” pretende conhecer melhor as diversas formações vegetais existentes em um mesmo país. O enredo começará lembrando que, por muito tempo, o Brasil foi um gigante adormecido e que teve suas riquezas mutiladas por diferentes povos.

A escola, então, parte da Costa Marina para trilhar o caminho percorrido por Câmara Cascudo nessa descoberta pelos diferentes Brasis existentes no Brasil. A formação natural brasileira começa, de certa forma, muito longe daqui, lá no deserto africano, de onde vieram as raízes de nossa espontaneidade e alegria. Já os portugueses, ocuparam o nosso Litoral e exploraram os nossos sertões através da mão de obra escrava.

Com o tempo, porém, os índios botaram os portugueses para dançar ao passo que, à beira mar, o comércio crescia na região portuária. “Na simplicidade de um cajueiro”, o desfile chega ao Nordeste de Lampião com xique-xiques, facheiros, “coroas de frades”, a “floresta branca” e a caatinga. Terra onde a vida não é fácil e a chuva é mmotivo de festa.

- Leia a sinopse

A Vila Isabel desembarca também no Cerrado e reconhece a luta de povos como os Xingus e os Kuarups, que buscam a preservação de suas terras. Tem também o Pantanal com suas águas e os seus “causos” que nascem à beira do rio, enquanto lá no sul, o Negrinho do Pastoreio e o Caipora ganham destaque.

A Vila Isabel faz também, é claro, um alerta pelo fim da devastação de nossas matas, mas pretende, declaradamente, reconhecer o trabalho de gente Chico Mendes e Câmara Cascudo, que conheceram e defenderam este mosaico de diferentes formações vegetais e lutaram pela preservação de nossa natureza que, de certa forma, é a preservação do nosso povo.

Unidos de Vila Isabel 2

O samba

Mais uma vez, o samba da Vila Isabel é composto por Arlindo Cruz, André Diniz, Evandro Bocão, Professor Wladmir e Arthur das Ferragens. Quem canta é Gilsinho, que chega à Vila Isabel para substituir Tinga.

Ouça.

Enredo: “Retratos de um Brasil plural”
Compositores: Evandro Bocão, Arlindo Cruz, André Diniz, Professor Wladmir e Arthur das Ferragens
Intérprete: Gilsinho

Brasil minha terra adorada
Moldada pelo criador
Mistura de cada semente
Nasceu realmente quando aportou
Mãe África a luz do teu solo
No espelho perfeito do mar
Cultura se deita em teu colo
Gigante-mestiço se fez despertar
A brasilidade aflora no sertão
Ser tão exuberante na raiz
De um rosto caboclo, cafuzo ou mulato
Retratos do meu país

Tem no baile o arrasta-pé
Quando a chuva molha o chão
Mandacaru em flor
Com as lágrimas do céu e o povo em oração
O branco verdejou

Doce canto do uirapuru
Choram seringueiras, cobiça ameaça,
Floresta entrelaça pela salvação
O grito da preservação
Cerrado manto de capim dourado
Que vença a chama dos ancestrais
No barco pantaneiro
Divino som dos rituais
Com o Negrinho do Pastoreiro
Protegendo campos e pinheirais
Unidos, guardiões da vida
De corpo e alma, nós somos a Vila

O coração vem na marcação
E o sangue azul tá na veia com certeza
O samba é a minha natureza, é bom lembrar
Tem que respeitar

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A Unidos de Vila Isabel será a terceira escola a desfilar na segunda-feira de Carnaval. O desfile deve começar entre 23h40 e 0h14.

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Chamada Geral: Beija-Flor viaja pela história da comunicação em homenagem à Boni

Desfile de 2013 da Beija-Flor.

Desfile de 2013 da Beija-Flor.

Ela é, sem dúvida, a escola mais vitoriosa do Século XXI. Com nada menos do que seis títulos nos últimos onze Carnavais, a Beija-Flor de Nilópolis aprendeu a lamentar como um rebaixamento resultados naturais para outras escolas, como o quarto lugar de 2012.

Maior campeã da Era Sambódromo, a Deusa da Passarela, acredite se quiser, já foi escola de segundo grupo. Estreando no Carnaval Carioca em 1954 com o título do Grupo 2, ela estreou entre as grandes em 55 e lá ficou até 1960, quando foi rebaixada em último lugar. A azul-e-branca voltou dois anos depois, mas foi novamente rebaixada em 1963 para voltar apenas – agora em definitivo – em 1974. No período, a Beija-Flor chegou a disputar até a terceira divisão.

Os dois primeiros anos na volta à elite, 74 e 75, reservaram à escola um sétimo lugar. Para 1976, chegou um tal de Joãosinho Trinta, que faria história na escola e no Carnaval. Em seu primeiro ano em Nilópolis, ele já venceu o Carnaval com “Sonhar com Rei dá Leão”, que fala sobre o jogo do bicho e será reeditado em 2014 pela Tradição, na Série A. Nos dois anos seguintes, mais duas taças e o primeiro tricampeonato da Beija-Flor – o título de 1978, aliás, veio acompanhado de um apoteótico samba “A criação do Mundo na Tradição Nagô”.

Nos três anos seguintes, a Deusa faturou dois vice-campeonatos e mais um título (este em 1980). No último ano de arquibancadas móveis na Sapucaí, a campeã foi a Beija-Flor, que faturou seu quinto troféu – o último durante muito tempo.

A escola viveu um jejum quase infernal de títulos que durou até 1998. Quinze anos sem título não é exatamente o fim do mundo, mas é que, no período, foram quatro vice-campeonatos e, a exceção de 1992 (último ano em que a Beija-Flor, no último desfile de Joãosinho Trinta na agremiação, não foi para o desfile das campeãs), a escola esteve sempre entre as cinco primeiras.

Um desses vice-campeonatos é especialmente dolorido. Sob o lema “pobre gosta de luxo, quem gosta de lixo é intelectual”, a Beija-Flor de Joãosinho Trinta fez história na Sapucaí com o desfile “Ratos e Urubus: larguem minha fantasia”. Uma apresentação apoteótica, coroada com um Cristo Redentor mendigo que fora proibido pela Justiça e, coberto com um plástico preto, recebeu uma faixa “Mesmo proibido, olhai por nós”.

Não é exagero afirmar que, em qualquer outro ano, a Beija-Flor seria campeã. Mas não neste 1989 em que a Imperatriz resolveu fazer o seu “Liberdade, Liberdade! Abre as Asas sobre nós!” e, graças a um jurado que não entendeu uma expressão africana no samba da Beija-Flor, se sagrou campeã.

Depois de Joãosinho Trinta, a escola teve Carnavais assinados por nomes conhecidos como Maria Augusta e Milton Cunha, mas foi em 1998 que Laíla protagonizou a maior inovação recente do Carnaval: a descentralização da figura do Carnavalesco através de uma Comissão formada por oito pessoas e que ficaria responsável pelo desenvolvimento de um confuso enredo sobre o Pará.

Bem menos empolgante que a Mangueira, a escola nilopolitana encerrou o seu jejum vencendo o campeonato de 98 ao lado da verde-e-rosa. Engana-se, porém, quem pensa que o sofrimento acabou. Nos três anos seguintes, a Beija-Flor perdeu o campeonato por 0,5 ponto (vale lembrar que o fracionamento ainda não era decimal, ou seja, foi pela diferença mínima) para a Imperatriz, mesmo sendo considerada merecedora da taça em 1999 e 2001.

No ano de 2002, foi instituído o fracionamento decimal e a taça ficou longe de Nilópolis – e foi parar no Morro da Mangueira – por apenas 0,1 ponto. A partir de 2003, porém, sofrimento foi uma palavra que passou longe da Beija-Flor. Já neste ano, foi campeã com uma diferença considerável de um ponto. Nos dois anos seguintes, sacramentou o seu segundo tricampeonato.

Nem sempre de maneira incontestável, a Beija-Flor ainda faturou os campeonatos de 2007 (este com uma diferença de quase dois pontos), 2008 e 2011 (1,4 ponto com descartes). A escola, que não passa três Carnavais “em branco” desde 2002, ficou em quarto e segundo lugares respectivamente nos últimos dois anos e aposta em uma grande personalidade da TV brasileira para faturar mais uma taça.

Beija-Flor de Nilópolis 1

O enredo

Ele não é ator, apresentador, diretor, cenógrafo, figurinista, muito menos autor de nenhuma novela ou programa de grande sucesso. Não seria exagero, porém, dizer que é o nome mais importante da história da TV brasileira. Durante mais de 30 anos, José Bonifácio de Oliveira Martins, o Boni, comandou quase tudo na maior rede de TV do país, a Globo.

Muito querido no meio, Boni imprimiu um padrão de excelência nas produções da emissora que a colocou entre as três maiores do mundo. Longe do cargo desde a década de 90, ele voltou, neste ano que passou, a ter ideias, inovar, criar, ousar. É que Boni, que se apaixonou pelo Carnaval em uma visita ao barracão da Mocidade do cenógrafo de uma novela global, Arlindo Rodrigues, lá na década de 70, tem sido mais um membro – informal – da Comissão de Carnaval que desenvolve o enredo “O astro iluminado da comunicação brasileira” que é… o Boni.

Praticamente intimado pelo seu amigo, o Presidente Anísio, a receber essa homenagem, ele aceitou com a condição de que o enredo não fosse biográfico, mas sim contasse a história da comunicação através dos tempos e só no fim chegasse a ele. E assim foi feito. O desfile começa muito antes do nascimento de Boni, no surgimento do homem que, ao se agrupar, percebeu a necessidade de se comunicar.

Aparecem então os sumérios e a escrita cuneiforme, a Torre de Babel, a fonética dos fenícios, os ideogramas e os hieróglifos. Sinais de fumaça, pombo-correios e folhas de bananeira serviram para transmitir mensagens antes do surgimento do papiro e do papel.

- Leia a sinopse

A comunicação foi evoluindo junto com o homem, se tornou importante ferramenta no desenvolvimento de civilizações e, enfim, chega aos tais tempos modernos onde é possível se comunicar em um toque, um aperto de botão. Desde o rádio até os smartphones, passando pela imprensa escrita até a internet e, é claro, pela vida de Boni, sua importância para a comunicação brasileira e suas paixões como a gastronomia, a medicina e, é claro o Carnaval.

Sua paixão é tanta que ele tem declarado ser “um operário” da escola. Com suas ideias, ele tem ajudado no Carnaval da escola e garante que, se o título não vier, certamente não será um desfile para ser esquecido.

Beija-Flor de Nilópolis 2

O samba

Laíla fez uma polêmica alteração no samba de Adilson Brandão, Diogo Rosa, Júnior Trinadade, JR Beija-Flor, Sidney de Pilares e Zé Carlos. Por conta do pretensioso verso “A campeã voltou”, ele cortou todo o refrão principal e transformou a estrofe anterior em refrão.

A mudança gerou várias críticas a um samba que já não era considerado um dos melhores do ano, mas que parece não preocupar a escola e a comunidade de Nilópolis. Quem canta, claro, é Neguinho da Beija-Flor.

Enredo: “O astro iluminado da comunicação brasileira”
Compositores: Sidney de Pilares, JR Beija-Flor, Júnior Trindade, Zé Carlos, Adílson Brandão e Diogo Rosa
Intérprete: Neguinho da Beija-Flor

No ar, a mensagem de um Beija-Flor
Sonhar, o sonho de um sonhador
E viajar no tempo, no som um sentimento
Ir mais além, tocar o céu
Erguer a Torre de Babel
Escrever seu nome num papel
Eu e você, em sintonia seja onde for
No infinito ao teu sinal eu vou
Leva desejo divino, divino desejo me leva…
A encontrar a arte no seu olhar

A Deusa do samba na Passarela
A marca do carnaval… É ela
Um lado a comunicar, o outro comunicou
Tá na mídia a Beija-Flor

Quando a emoção chegar, a saudade vai bater
Juntos na mesma frequência
Um show de audiência, vamos reviver
Espelho refletindo cada um de nós
Por isso solte a sua voz, hoje o artista é você

Clareou… E a gente vai se ver de novo
Clareou… De azul e branco nos braços do povo

Boni tu és o astro da televisão
Fiz, da sua vida minha inspiração
Vem, a festa é sua, a festa é nossa de quem quiser
Mostra que “babado é esse” de samba no pé

BeijaFlor2

A Beija-Flor será a sexta e última escola a desfilar no domingo de Carnaval. O desfile deve ter início entre 2h55 e 4h20 da segunda-feira.
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Chamada Geral: Unidos da Tijuca acelera pelo mundo da velocidade em desfile que homenageará Ayrton Senna

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Desfile de 2013 da Unidos da Tijuca.

Ela é uma das escolas mais aguardadas pelo público em geral, mesmo dentre os que mal acompanham os desfiles como um todo. Toda vez que o Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos da Tijuca entra na Avenida com mais um enredo de Paulo Barros, podemos esperar inovações e surpresas do primeiro ao último minuto de desfile.

Muito antes do carro do DNA, da troca de roupa na Avenida, ou de cabeças cortadas na frente de todo o público, porém, há uma história de mais de 80 anos. Fundada em 1931, a escola do Borel, hoje no Santo Cristo, foi uma das primeiras campeãs do Carnaval Carioca, vencendo o concurso de 1936. Paulo Barros estava longe de chegar ao mundo, mas a Tijuca já inovava sendo a primeira a trazer alegorias referentes ao enredo – “Sonhos delirantes”, no caso.

Aos poucos, porém, a azul-e-amarela foi passando por altos e baixos e, em 1959, foi rebaixada pela primeira vez ao segundo grupo. Lá, a Tijuca ficou até 1980, quando venceu o Grupo de Acesso com o inesquecível enredo “Delmiro Gouveia”. A escola se manteve no primeiro grupo até 1984, ano da inauguração da Marquês de Sapucaí, quando foi a última dentre as sete escolas que desfilaram no domingo e foi rebaixada.

Voltou em 85, caiu em 86 (com um samba deveras politicamente incorreto com versos como “o arroz e feijão lá de casa é bom / mas o cozido da vizinha é bem melhor”), voltou novamente em 87 e, dessa vez para ficar. Durante dez Carnavais, a Unidos da Tijuca ficou sempre ali, no meio da tabela, com alguns anos melhores e outros piores.

Em 1998, porém, levou um corajoso enredo em homenagem ao centenário do Vasco da Gama para a Avenida. Corajoso porque, se foi extremamente popular entre os vascaínos (o refrão caiu no gosto da torcida e virou até canto no Maracanã e vinheta nos gols do clube, que vivia grande fase, na Rádio Tupi), encontrou enorme resistência entre as outras torcidas… e entre os jurados. Apesar de uma boa apresentação, a escola acabou novamente rebaixada.

No ano seguinte, porém, fez um dos melhores desfiles da história do Grupo de Acesso com o enredo “O Dono da Terra” e voltou para, até o presente momento, não sair mais. Foi uma das grandes surpresas em 2000, quando, mesmo abrindo a segunda noite de desfiles, terminou em quinto lugar.

Mas surpresa mesmo começou a ser a especialidade da escola em 2004, quando Paulo Barros chegou e já deu um vice-campeonato à escola do Borel. Foi uma revolução no Carnaval: deixando os quesitos “de chão” como samba-enredo em segundo plano, Barros criou temas difíceis, enredos ousados e alegorias geniais, como a que representava o DNA através de um mosaico humano. Em 2005, foi considerada a melhor escola a passar pela Sapucaí, mas perdeu o campeonato para a Beija-Flor por um décimo.

Paulo Barros saiu da escola após um sexto lugar em 2006 e, nos dois anos seguintes, a Tijuca ainda conseguiu vaga no desfile das campeãs. Em 2009, porém, um pouco feliz desfile sobre o espaço sideral deixou a escola em nono lugar.

Em 2010, porém, Paulo Barros voltou para aquele que foi um dos grandes momentos da história da Sapucaí. O enredo “É segredo” surgiu através de uma sugestão de um adolescente pelo Orkut. O carnavalesco desenvolveu um tema que conquistou a todos desde a comissão de frente, que trocava de roupa em um piscar de olhos. Depois de 74 anos, a Tijuca voltou, enfim, a ser campeã.

Em 2011, na busca pelo bi, Paulo Barros desenvolveu um desfile sobre o cinema, que acabou em segundo lugar, 1,4 pontos atrás da Beija-Flor e seu desfile sobre Roberto Carlos. Visivelmente contrariado, Barros brincou com a situação em 2012, na homenagem ao Rei do Baião Luiz Gonzaga. O abre-alas era formado por diversos Reis e, é claro, o Rei Roberto Carlos não poderia faltar nessa saudação a Gonzaga. Mesmo sem o impacto dos desfiles anteriores, a Tijuca foi novamente campeã.

Ano passado, o desfile sobre a Alemanha teve alguns problemas de evolução e no acabamento das alegorias. A Tijuca chegou a brigar pelo título, mas acabou só em terceiro lugar. Para tentar manter a fase de “título ano sim, ano não”, a agremiação do Borel recorrre a um dos maiores ídolos do esporte nacional.

Unidos da Tijuca 1

O enredo

Paulo Barros nunca escondeu sua preferência por enredos autorais em detrimento daqueles propostos pela escola. Pelo terceiro ano seguido, porém, ele desenvolve um enredo que não saiu de sua cabeça. Ou melhor, a ideia do enredo. Porque na cabeça do Carnavalesco mais famoso da atualidade, Luiz Gonzaga não é só o Rei do Baião, a Alemanha não é só um país europeu… e Ayrton Senna não é só um ídolo e um dos maiores pilotos de todos os tempos.

“Acelera, Tijuca!”, ao contrário do que é dito por aí, não é um enredo sobre Ayrton Senna. É uma homenagem a ele, que só aparece no final, em um tema que fará um passeio pelo mundo da velocidade. E isso é explícito na sinopse assinada ao lado de Ana Paula Trindade, Fátima Brito, Isabel Azevedo e Simone Martins.

O “Grande Prêmio Tijuca” lembra da “Eau Rouge”, uma das curvas mais famosas da Fórmula 1, presente no circuito de Spa-Francomchamps, na Bélgica. Em seguida, começa o passeio pelos “competidores”. O primeiro setor é dedicado aos animais, como o beija-flor (seria uma referência?), o peixe-agulhão e até os personagens de uma fábula conhecida, a tartaruga e a lebre.

- Leia a sinopse

O segundo setor vem falando de tecnologia, da velocidade de comunicação da internet, a rapidez do avião supersônico, do trem bala e a velocidade incomparável da luz. E toda corrida que se preze tem um pit-stop. A agilidade dos mecânicos é lembrada antes do setor que presta homenagem aos personagens de desenhos animados que eram velozes, como o Ligeirinho ou o Speed Racer. Não poderiam faltar, é claro, os personagens da Corrida Maluca, como o Dick Vigarista.

Na sequência, veremos atletas que precisam da velocidade para vencerem suas modalidades, como o ciclismo, a vela e o remo. Quem também vai passar pela Avenida é, veja só, Roberto Carlos e seu calhambeque.

E então vem ele, o grande vencedor desta corrida. Com a bandeira do Brasil nas mãos e o “Tema da Vitória” ao fundo, Ayrton Senna vence mais essa corrida e recebe os aplausos de toda a Marquês de Sapucaí.

Unidos da Tijuca 2

O samba

Gustavinho Oliveira, Rafael dos Santos, Caio Alves e Fadico são os compositores do samba da Unidos da Tijuca para o Carnaval 2014. Melhor do que o de 2013, por exemplo, ele está longe de ser uma obra-prima, mas é até bastante animado, em especial o refrão do meio, e deve ajudar a escola a fazer um bom desfile.

Quem canta é o pai de Rafael dos Santos, Tinga, que deixou a Vila Isabel e estreará pela agremiação do Borel.

Enredo: “Acelera, Tijuca!”
Compositores: Gustavinho Oliveira, Fadico, Caio Alves e Rafael dos Santos
Intérprete: Tinga

Vai começar
Libere a pista para a emoção
Foi dada a partida, prepare o seu coração
Tijuca, a hora chegou
Quem será o vencedor?
Dos animais, agilidade
A inspirar velocidade
Impressionante a ousadia
A internet ultrapassou a energia
A equipe anunciou, no pit stop o piloto parou

E lá vão eles na pura cadência do samba
Numa corrida maluca repleta de bambas
Tentando trapacear, deu mole, rodou na pista
Ficou pra trás o vigarista

Rompendo barreiras, superam limites
Atletas buscando o primeiro lugar
Quando de repente pisando no breque
Vi no calhambeque alguém acenar
Na última volta do meu carnaval
Desponta um gênio talento imortal
Trazendo nas mãos a bandeira do nosso país
Na reta, a consagração
O tema a emocionar
Lá vem o campeão
Voando baixo pra vitória alcançar

Acelera Tijuca, eu vou com você
Nosso lema é vencer
Guiando o futuro que um sonho construiu
Ayrton Senna do Brasil

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A Unidos da Tijuca será a sexta e última escola a desfilar na segunda-feira de Carnaval. O desfile deve ter início entre 2h55 e 4h20 da terça-feira.

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Chamada Geral: Imperatriz une todas as torcidas para contar a vida do Craque Zico

Imperatriz

Desfile de 2013 da Imperatriz Leopoldinense.

Muito antes de se tornar uma das mais fortes escolas de samba do Rio de Janeiro, a Imperatriz Leopoldinense não passava de uma agremiação média que perambulava entre o primeiro e o segundo grupos da folia carioca. Uma das maiores conquistas da escola durante muito tempo foi a popularização vinda através da novela “Bandeira 2” (1971), de Dias Gomes, que tinha a então pequena a agremiação de Ramos como um de seus cenários.

A história começou a mudar em 1980, quando o consagrado Arlindo Rodrigues desenvolveu o enredo “O que que a Bahia tem?” e deu o primeiro título à Rainha de Ramos. No ano seguinte, homenageando Lamartine Babo, o bicampeonato.

Em 1989, fez o impossível: após terminar em último lugar e se salvar do rebaixamento por uma mudança no regulamento em 88, a Imperatriz conseguiu superar o histórico “Ratos e Urubus: larguem da minha fantasia”, da Beija-Flor de Joãosinho Trinta, em um desfile ainda mais histórico, “Liberdade, liberdade! Abre as asas sobre nós”, que deu a terceira taça à escola.

A partir de 1992, a escola daria início a sua mais vitoriosa era. Embora a quarta taça só tenha vindo dois anos depois, foi em 92 que Rosa Magalhães deu início à sua mais longa passagem pela escola. Com enredos de conteúdo histórico e títulos longos, Rosa imprimiu um padrão de excelência nunca antes visto em alegorias e fantasias. Por outro lado, porém, a escola passava quase sempre sem empolgar o público e muitas das taças conquistadas em 1994, 1995, 1999, 2000 e 2001, foram contestadíssimas pela opinião pública, ainda mais pelo fato da Liesa ser presidida pelo seu Presidente, Luizinho Drummond.

Na virada do Século XX para o XXI, não foi raro ver a entrada da Imperatriz, seja no desfile oficial ou no sábado das campeãs, recebida por uma chuva de latinhas no Setor 1. Aos poucos, essa resistência foi acabando junto com a boa fase da verde-e-branca. Rosa Magalhães ficou na agremiação até 2009, mas, sem a força econômica e política de antes, a Imperatriz não conseguiu nada melhor que um terceiro lugar e, em várias oportunidades, sequer foi para o desfile das campeãs.

O auge da crise se deu em 2012, quando, homenageando o centenário de Jorge Amado, alcançou o décimo lugar, sua pior colocação desde 1988, mas agora entre 13 escolas. A recuperação aconteceu em 2013, com um quarto lugar em um desfile sobre o Pará.

Agora, recuperada, a Imperatriz aposta, quem diria, na popularidade de seu Carnaval para voltar a ser campeã.

Imperatriz Leopoldinense 1

O enredo

Ele é o maior ídolo da maior torcida do Brasil. Um dos maiores jogadores de futebol de todos os tempos e, ao mesmo tempo, apaixonado por Carnaval (torcedor, inclusive, da Beija-Flor de Nilópolis). Arthur Nunes Coimbra, o Zico, é o grande homenageado da Imperatriz para o Carnaval de 2014.

Engana-se porém quem espera um enredo biográfico que destaque seus golaços com a camisa do Flamengo ou da Seleção Brasileira. A vida de Zico será contada de maneira diferente, como se fosse um conto de fadas, com Reis, cavaleiros e um Templo Sagrado.

- Leia a sinopse

O início do desfile se dá através de uma partida de futebol entre as escolas de samba do Grupo Especial. A Imperatriz faz o gol e então abre-se um portal que nos leva até a história de “Arthur X – O Reino do Galinho de Ouro na Corte da Imperatriz”. O camisa 10 que teve uma infância difícil em uma casa simples do subúrbio.

O plebeu, porém, se tornou Rei. Vestindo “a mais alta patente” que um jogador pode alcançar, a Seleção, ou vencendo o Mundial Interclubes com o Flamengo em 1981, ele conquistou o mundo com sua habilidade. Foi coroado através de seus grandes lances, “soberano de uma nação”.

Mas nem só de decisões era feita a vida deste craque. Haviam também as batalhas dominicais no Maracanã contra os rivais Botafogo, Vasco e Fluminense. Ele também conquistou o mundo jogando fora do país, até na terra do Sol Nascente.

No dia em que completará mais um aniversário, Arthur Nunes Coimbra será consagrado pela Imperatriz Leopoldinense em verde, branco e dourado. No fim da sinopse de Leandro Vieira, o enredo de Cahê Rodrigues termina com o próprio Zico dizendo: “É Carnaval, sem formalidade: podem me chamar de Zico”.

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O samba

Elymar Santos nunca escondeu sua paixão pela Imperatriz Leopoldinense. E em 2014, ao lado de Guga, Tião Pinheiro, Gil Branco e Me Leva, ele realizará o sonho de ver um samba seu na Avenida. Samba este cujo alusivo ele mesmo cantou no CD – e deve cantar na Sapucaí.

O compositor Tião Pinheiro explica como foi o processo de criação do samba: “A exemplo de outros anos, elaboramos uma pesquisa minuciosa que foi além da sinopse divulgada, a fim de buscar elementos não citados no texto, mas de grande representatividade para o assunto do enredo. Reunido o material, fizemos uma primeira reunião na qual definimos as características estruturais da composição. Com base no perfil da escola, na posição de desfile do próximo Carnaval e no gosto estético do grupo, ficou acordado que privilegiaríamos o canto do componente na redação da letra, mas, obviamente, sendo fiel à essência do enredo. A posição de cada tema no decorrer da letra também não foi por acaso. Foi baseada, antes de tudo, na sinopse divulgada, mas também respeitando as características musicais de cada trecho, de modo que pudéssemos potencializar musicalmente cada um deles. Por fim, houve também uma preocupação em extrapolar o conceito música e letra, criando oportunidades criativas para outros setores do desfile, tais como a bateria, a comissão de frente, as alas coreografadas, entre outros”, afirma. “A obra composta pelo grupo buscou atender às necessidades dos carnavalescos e, ao mesmo tempo, colaborar com todos os setores da escola a fim de potencializar o desfile”, resume.

Tião espera que o samba, popular no pré-carnaval, ajude a quebrar a fama de “fria” carregada pela escola: Essa é a minha expectativa maior. “A Imperatriz foi muito vitoriosa naquele período [de 1994 a 2001] e, você sabe, todo grande caso de sucesso gera, ao mesmo tempo, antipatia e rejeição. A escola implantou o sistema de desfile para ganhar a competição e não apenas emocionar. Esse modelo acabou sendo adotado por outras escolas posteriormente, o que denota o acerto da escolha. Atualmente, a grande festa do Carnaval – o desfile oficial das escolas de samba – passa por mudanças em sua estrutura plástica, estética e econômica. A gestão dentro dos barracões é absolutamente profissional, com pessoal especializado nas mais variadas áreas técnicas. Quem não compreender a mudança, ficará fora do grupo especial”, acredita. “Durante o desfile, o público quer ser surpreendido. Não há mais espaço para o modelo de contemplação, onde as pessoas aguardavam a escola desfilar observando cada setor, conjunto de alas, composições alegóricas etc. Percebo a necessidade de encantar o público a cada trecho do desfile. Recursos pirotécnicos, técnicas de ilusionismo, iluminação mapeada e individualizada etc são recursos cada vez mais utilizados com sucesso na avenida. Nesse caso, acredito que o nosso samba dará uma contribuição muito significativa para essa integração público-escola. E quem ganha com esse esforço criativo é a competição e, mormente, o ator principal: o público presente”, afirma.

A popularidade do samba é tanta, que ele ganhou até as cadeiras do novo Maracanã em alguns jogos do Flamengo na Copa do Brasil de 2013. Tião comemora o reconhecimento externo: “Acredito termos alcançado o objetivo maior que era elaborar uma obra com ótima qualidade redacional e melódica, e ao mesmo tempo, que provocasse imediata comunicação e identificação com o público. Vivemos numa sociedade onde tudo está cada vez mais descartável, não apenas o samba-de-enredo. Tudo é muito comercial e, confesso, acho que o caminho é esse mesmo. Se você não se enquadrar, sucumbirá…”, diz o compositor. “Acredito que o nosso samba se eternizará de forma mais consolidada em função de aglutinação de duas das maiores paixões do nosso povo: samba e futebol. E não se trata somente de futebol… Estamos falando de dois fenômenos de massa! Temos um dos maiores ídolos do futebol mundial, no país do futebol, no ano da Copa do Mundo, e com a Imperatriz Leopoldinense. Estamos extremamente felizes com a perspectiva de ver o samba eternizado pelo canto das torcidas do Rio e de todos os cantos do Brasil”, afirma.

Há, porém, um ônus nessa homenagem: apesar de vestir a camisa da Seleção Brasileira, Zico é um ídolo do Flamengo e o enredo pode encontrar uma resistência por parte dos torcedores de outros times. Isso, é claro, foi levado em consideração no processo de criação do samba: “Acho importante ressaltar que o enredo foi brilhantemente trabalhado pelo Cahe Rodrigues e pelo Leandro Vieira. Dessa forma, observamos que a trajetória do Zico será contada de uma forma muito lúdica, sem as obviedades do arsenal futebolístico. O samba acompanha esse visão do Cahe e equipe. Buscamos um certo distanciamento da simplicidade das chuteiras e mergulhamos na complexidade da formação do grande ídolo Arthur Antunes Coimbra, o Zico. Grande cidadão, pai de família, excepcional desportista, referência esportiva em todos os continentes… E mesmo com todas conquistas e reconhecimento mundial, um cara simples, humilde, admirado por todos. Todos nós “crescemos driblando o destino”, “vencemos as bareiras da vida”… O samba não levanta uma bandeira específica, embora haja a coisa intríseca da relação do atleta com o CRF, com a seleção brasileira e com a nação leopoldinense”, explica. E ainda existem algumas artimanhas para que ninguém fique parado no desfile da escola: “trouxemos uma fatia do canto das arquibancadas para o universo do carnaval com o trecho “dá-lhe, dá-lhe, dá-lhe ô, o show começou…” Quem se furtará a cantar e vibrar com o refrão principal do samba? É carnaval, é festa, é cultura, é alegria! Tenho certeza que as torcidas entenderão a mensagem. Vai ser um sucesso!”, acredita.

E não para por aí: no último verso da segunda parte, o samba diz: “na arquibancada todo mundo canta junto”. O compositor confirma que é um jeito de convocar todas as torcidas a cantarem a vida de Zico: “Desejamos provocar uma grande atmosfera de celebração ao nosso homenageado, independentemente da bandeira clubística. Quem merece os aplausos é o espetacular ídolo brasileiro, o grande atleta e o fantástico ser humano, Zico. É a hora do êxtase, da pulsação forte, da catarse sambística. É a preparação para o refrão super popular, com licença de Elymar Santos (risos) do nosso samba”, finaliza.

Ouça o samba na voz de Wander Pires.

Enredo: “Arthur X — O Reino do Galinho de Ouro na Corte da Imperatriz”
Compositores: Elymar Santos, Guga, Tião Pinheiro, Gil Branco e Me Leva
Intérprete: Wander Pires

O dia chegou!
Em meus olhos, a felicidade.
Te fiz poesia, pra matar a saudade…
Imperatriz vai me levar
A um reino encantado,
Um menino a sonhar…
Cresceu driblando o destino,
Venceu as barreiras da vida…
Fardado nas cores da nação,
Armado de raça e paixão,
Nos pés, o poder!
Vencer, vencer, vencer!

“Oô”, o povo cantava…
Domingo, um show no gramado!
Com seus cavaleiros, Arthur se tornava
O “Rei do Templo Sagrado”!

Caminhando mundo afora…
O seu passaporte, a bola!
Da Europa ao Oriente,
Grande “Deus do Sol Nascente”,
Outros reinos conquistou…
À sua pátria amada, então, voltou.
Hoje, mais do que nunca é o seu dia,
Vamos brindar com alegria,
Trazer de volta a emoção.
Com toda humildade, vem ser coroado,
Vestir o meu manto verde, branco e dourado!
Quem dera te ver por mais um minuto,
Na arquibancada, todo mundo canta junto:

Da-lhe, Da-lhe, Da-lhe Ô
O show começou!
Da-lhe, Da-lhe, Da-lhe Ô
Um canto de amor!
Imperatriz me faz reviver…
Zico faz mais um pra gente ver!

Imperatriz-2

A Imperatriz Leopoldinense será a quarta escola a desfilar na segunda-feira de Carnaval. O desfile deve começar entre 0h45 e 1h36 de terça-feira.

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