Estrela do Terceiro Milênio divulga sinopse do enredo de 2014

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A Estrela do Terceiro Milênio divulgou a sinopse de seu enredo para o Carnaval de 2014. No ano que vem, o terceiro consecutivo da jovem escola no grupo de Acesso, que passou perto da estreia no Grupo Especial nos últimos dois desfiles, a Coruja do Grajaú levará um tema afro para o Anhembi, diferente do que foi visto nos desfiles anteriores. Em 2012, a escola exaltou a sabedoria e, neste ano, fez uma homenagem à Elke Maravilha. Agora, a escola aposta no enredo “Xirê! Louvação aos orixás!” para conquistar o sonhado acesso ao Grupo Especial. O desenvolvimento do enredo fica mais uma vez por conta do Carnavalesco Eduardo Félix.

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Xirê! Louvação aos orixás

Sinopse

Introdução

“Os deuses não nos revelaram desde o princípio todas as coisas, mas, com o tempo, se buscarmos, poderemos aprender, conhecê-las melhor. A verdade certa, contudo, ninguém jamais a conheceu nem conhecerá: a dos deuses ou a de todas as outras coisas, mesmo se por acaso alguém pronunciasse o nome da verdade última, não poderia reconhecê-la, neste universo de opiniões.”

Karl Popper

A mitologia africana é muito rica, muitas são as divindades de diferentes culturas variando de região geográfica e grupo étnico, ou seja, do lugar e do povo dentro da África.

Muitas lendas perderam-se na transposição de um continente para o outro, outras se modificaram, mas em sua essência continuam as mesmas, lindas e formosas mostrando que no maior continente e no berço da civilização humana  vigora uma biblioteca viva, extremamente vasta e ampla a fim de ser desvendada e divulgada aos quatro cantos do mundo.

Neste  contexto, apresentamos uma das várias lendas da tradição Iorubanas de como surgiu o Candomblé e como foi cultuado os seus orixás durante  e após a escravidão no Brasil. Nesta transposição do culto dos orixás da África para o Brasil, um número reduzido de orixás foi conservado. Pesquisadores apontam para números entre duzentos (200) a  seiscentos (600) e até mais divindades existentes nos diferentes panteões africanos.

A teologia Ioruba faz referência ao Orún e ao Aiyé. Em momento algum ou em qualquer circunstância, o faz sobre as  palavras inferno  e pecado.  As leis,  a lógica, o bom senso e os ensinamentos  permeiam  a conduta das pessoas, até porque estes são termos posteriores à criação do homem segundo a teologia Ioruba.

1º Setor

SURGIMENTO DO CANDOMBLÉ

Houve um tempo em que não havia separação  entre  o Òrun, o reino dos orixás, e o Aiyê, a terra dos homens. Orixás e homens viviam juntos, entre um reino e outro.

Até que um dia um ser humano tocou o Òrun com as mãos sujas e conspurcou o reino dos orixás.

Oxalá, o grande orixá, que adora a cor branca, foi reclamar  com Olorun, o Deus supremo, senhor onipresente da criação.

Olorun, enfurecido com a displicência dos homens, soprou seu hálito divino e criou o Sanmo, o céu, separando Òrun e Aiyê.

Orixás e homens já não podiam mais ir e vir entre um reino e outro.

As divindades se entristeceram de saudade dos homens e foram falar com Olorun que ouviu as divinas queixas.  Olorun  acabou por consentir que, de vez em quando, os orixás voltassem  à terra  mas com uma condição: teriam que usar o corpo material de seus filhos devotos.

Oxum, orixá  de  beleza e formosura, foi encarregada por Olorun de preparar os mortais para receberem os orixás. Fez oferendas a Exú para afastar os problemas na execução de sua tarefa. Veio ao Aiyê, banhou o corpo dos devotos com ervas especiais, cortou seus cabelos, raspou suas cabeças, pintou as cabeças com pintinhas brancas,  assim como são as penas de Etu, a galinha d’angola. Vestiu-os com belos panos e grandes laços e os enfeitaram com joias e coroas.

Ornou ainda a cabeça com o ecodidé, a sagrada pena vermelha de edidé, papagaio-da-costa.

Nas mãos, colocou as ferramentas das divindades: espelhos, espadas, cetros etc. E nos braços pulseiras e braçadeiras.

Preparou ainda as cabeças, com seus segredos, para atrair o orixá do iniciado. Assim a divindade não se enganaria em seu retorno ao Aiyê, o mundo dos homens.

Os yaôs, os devotos iniciados estavam prontos e nas palavras de Oxum, odara (lindo), os mais bonitos.

Os humanos fizeram oferendas aos orixás, convidando-os a virem à terra, nos corpos dos yaôs. Então, os orixás vieram e tomaram seus devotos, enquanto os homens tocavam os tambores, vibravam os chocalhos, batiam os agogôs, cantavam, batiam palmas e davam vivas á volta dos orixás.

Orixás e homens puderam novamente estar juntos. Surgiu então o Candomblé.

2º Setor

O XIRÊ DOS ORIXÁS

“No Candomblé, o Deus criador é Olorum, chamado de Olodomarê. Ele vem acompanhado de uma série de outros seres… Temos os orixás: o conjunto de entidades que pode se manifestar diretamente com os homens… A imagem que nós temos dos orixás é justamente aquela que vemos no barracão. Os orixás vestidos, dançando com os gestos próprios. Diz-se que os filhos, pouco a pouco, assumem muitas características do seu orixá.

Com isso, ao falar de um orixá, automaticamente associamos suas características à personalidade de seus filhos e muitas vezes também à sua própria historia de vida. Portanto, falar dos orixás é também falar de nós mesmos.”

Agenor Miranda Rocha “As nações Kêtu”

As cerimônias públicas (festa de santo) ou “toque” é uma cerimônia essencialmente comemorativa musical. Seu objetivo principal é a presença  dos orixás entre  os mortais.  Sendo  a música  uma linguagem privilegiada no diálogo com os orixás, a festa pode ser entendida como um chamado ou uma prece, pedindo a eles que venham estar junto a seus filhos, seja pôr motivo de alegria ou de necessidade destes.

Começa-se o xirê, que significa: brincar, dançar e denota o tom alegre da festa de candomblé, onde os próprios orixás são saudados e louvados com cantigas próprias, as quais correspondem danças coreográficas que particularizam as características de cada orixá.  É nesses momentos do ritual de grande efervescência, que as divindades chegam a terra no corpo de seu iniciado. Na maioria dos candomblés o xirê segue a seguinte ordem, toca-se para:

Exú: no padê (porque ele é o intermediário entre os homens e os orixás, entre o mundo do além e o da terra);

Ogum: é o dono dos caminhos e dos metais e sem ele e suas invenções da faca e da enxada o sacrifício aos orixás e o trabalho na terra estariam impedidos;

Osossi: está ligado a sobrevivência através da caça e da pesca, é irmão de Ogum;

Obaluayê: é o senhor da cura das doenças, ou aquele que a traz;

Ossain: dono das folhas que curam daí a ligação com Obaluayê e também  porque nada se faz sem as folhas no candomblé;

Oxumarê: por sua ligação com Xangô, como escravo deste e como aquele que faz a ligação entre o céu “nuvens e a terra”;

Xangô: Senhor do trovão e do fogo trazido por Oxumarê; Oxum: esposa favorita de Xangô, orixá da riqueza, vaidade;

Logum-nedé: o filho de Oxum com Oxossi;

Iansã: que no mito criou Logum-nedé, juntamente  com Ogum, quando Oxum o abandonou, orixá dos raios e tempestades;

Obá: tida em muitas casas como irmã de Iansã, é a terceira mulher de Xangô;

Nanã: a mais velha das yabás, orixás femininos;

Ewa: Orixá que representa a cobra fêmea, só pode ser feita em cabeça feminina e virgem;

Yemanjá: Dona das cabeças, das águas salgadas e mulher de Oxalá;

Oxalá: Dividi-se em Oxalufã (Velho) e Oxoguian (novo), o senhor de toda criação.

Pode ocorrer outra ordem de xirê, dependendo da nação, seja qual for à sequência e sua concepção cosmológica, ela costuma ser fixa para  cada casa. É exatamente o xirê que de alguma forma norteia os acontecimentos da festa, fazendo entre outras coisas com que os filhos se identifiquem através das cantigas e ritmos, os momentos apropriados ao cumprimento da etiqueta religiosa.

CONCLUSÃO

O candomblé é uma religião dinâmica,  mas ao contrário da  imaginação  de  muitos,  devido  à sua variedade de orixás é essencialmente monoteísta, crê em um único Deus e criador Olorún (olo = dono, senhor e Orun = céu, espaço celeste sagrado), que criou o céu e a terra, os orixás e o homem. O Orún sua morada e dos Araorún, todos os ancestrais  divinizados; o Aiyê, moradia  dos Arayé, os seres  humanos,  os animais, vegetais, minerais e toda forma da natureza.

Os orixás integram a natureza por excelência, seus guardiões e fiscais, energia indispensável para toda a sobrevivência com função dupla: reger e cuidar da natureza em si e da natureza humana; o homem, objeto principal da sua criação para de tudo usufruir dentro dos critérios do seu criador.

No candomblé nada se inventa, tudo se aprende. O saber e o conhecimento só vêm com o tempo. Ensinamento, humildade, merecimento e compreensão,  a sua prática tende  a adaptar-se  ao crescimento e modernidade do mundo, professando a sua religião através dos seus rituais.

Sendo assim,  espero que nestes cinquenta e cinco minutos, possamos  entender, compreender e respeitar esta religião, tão marginalizada pela sociedade.  E que neste carnaval, após 125 anos da ABOLIÇÃO, poder quebrar os grilhões que ainda tendem a resistir a esta louvação ao culto dos ORIXÁS.

Autor: Eduardo Felix de Lima

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